“fazendo poeira e não engolindo poeira”
Paradigma, de origem grega parádeigma, significa “modelo padrão”.
Em linguagem corporativa, “quebrar paradigmas” é substituir padrões antigos por padrões novos (não necessariamente melhores).
No decorrer do tempo, a gestão empresarial tem sofrido constantes mudanças, implicando em "quebra de paradigmas".
O processo de quebra de paradigmas (“quebrando mesm!ce”) percorre as seguintes fases:
Velho paradigma -> nascimento de novos cenários e/ou novas exigências -> busca de adaptação e/ou solução -> criação > inovação -> concepção de um novo paradigma -> implantação.
Esta evolução traz consigo novas práticas de gestão empresarial, tais como:
- As relações com os públicos da empresa:
Velho Paradigma – Assunto da Alta Direção;
Novo Paradigma – Responsabilidade de todos.
- A Gestão Estratégica executiva:
Velho Paradigma – centralizada;
Novo Paradigma – participativa.
- A Gestão Humana:
Velho Paradigma – voltada para “Administração de Recursos Humanos”;
Novo Paradigma – voltada para “Valorização do Capital Humano”.
- A Gestão Mercadológica:
Velho Paradigma – concentrada em Vendas no Mercado Interno;
Novo Paradigma – expandida para Marketing (e Vendas) no Mercado Externo.
- A Gestão de Resultado:
Velho Paradigma – centralizada, reativa, defasada, no “chutômetro”, em planilha Excel;
Novo Paradigma – participativa, pró-ativa, on-line, com precisão, com suporte de TI.
- A relação de Educação e Capacitação de Pessoas:
Velho Paradigma - aquisição de conhecimento “puro”, definitivo e individual;
Novo Paradigma - aprendizado “aplicado”, contínuo e compartilhado.
Sempre que temos um problema, tendemos a querer respostas prontas, derivadas de velhos paradigmas (força de hábito). Hoje em dia, é preciso buscar respostas “nunca testadas antes”, derivadas de novos paradigmas (fora da própria sombra), que permitem enxergar além...
"Quebrar paradigmas" tornou-se uma exigência no mundo dos negócios. Os profissionais, principalmente os gestores empresariais, precisam rever suas coordenadas de pensar, decidir e agir.
Para que um paradigma seja realmente quebrado é necessário que algo seja abolido e o novo seja implantado. Numa conversa com Ricardo Semler, fundador e presidente da Semco S/A, empresa do setor de serviços, maquinário e softwares e autor do livro Virando a própria mesa, ele desmistificou a quebra de paradigmas.
Ao assumir a empresa do pai, ele implantou um sistema de gestão empresarial, baseado na “democracia total”: os colaboradores passaram a estipular os próprios salários e horários de trabalho, a discutir com os superiores a direção e o desempenho da empresa, etc. Contrariando aqueles que o chamaram de “louco”, a empresa não virou uma anarquia, nem foi à falência.
Ele realizou o que o guru americano Tom Peters prega: “Tempos loucos requerem ideias loucas”.
A sobrevivência da empresa depende cada vez mais da consciência dos colaboradores quanto ao seu papel de “agente de mudança”.
Cabe à gestão empresarial incentivar colaboradores de ponta a trocarem conhecimento, experiência e ponto de vista, o que os americanos chamam de “focus group” (grupo focado na solução de um determinado problema); é assim que a empresa pode se tornar uma usina de ideias, o combustível para a quebra inteligente de paradigmas.
O uso da Tecnologia da Informação pode ajudar na agilização deste processo, na medida em que se acabe com os “feudos de informação” que seguram a informação, por vaidade e/ou medo de perda de poder (velho paradigma), partindo para “círculos pensantes” que compartilham informação, visando o poder do todo (novo paradigma).
Um exemplo prático é a criação de bancos digitais de conhecimento e de casos de sucesso - um “armazém da inteligência corporativa”, acessível a quem precisa acessá-lo, para “não re-inventar a roda” na hora de buscar uma solução.
A mudança de hábito no sentido de quebrar a mesm!ce, individual e corporativa, aposta na capacidade das pessoas de interagir, contribuir e somar quando o assunto é enferrujar menos e oxigenar mais...
Resta salientar que a quebra de mesm!ce por si só não vale nada; ela deve ser embasada na ação. Os públicos da empresa (colaboradores, clientes, fornecedores, comunidade, investidores) não se importam com intenções. O “tchan” da gestão empresarial é percebido através de AÇÕES. O que determina a jornada da empresa é aquilo que ela realmente FAZ – para eles.
Faça parte deste movimento, incorporando o pensamento do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry: “Na vida, não existem soluções. Existem forças em marcha: é preciso criá-las e, então, a elas seguem-se as soluções” – antes que o concorrente crie forças, as quais seguem os problemas para a sua empresa....
Werner Kugelmeier
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