Brasil é um país empreendedor, mas 48% dos negócios não sobrevivem por mais de três anos.
O Brasil é o 8º país mais empreendedor do mundo. Os dados são do Instituto Empreender Endeavor, que verificou que, entre os anos de 1995 e 2000, empresas com menos de 100 funcionários criaram 95% dos novos empregos no Brasil. De cada 100 brasileiros adultos, 13,5 estão envolvidos em atividades empreendedoras.
Mas ser um empreendedor no Brasil não é tarefa simples. O país é líder absoluto nos quesitos impostos e complicação tributária, além de contar com um sistema judiciário lento e caro.
Estatísticas apontam que, nos últimos anos, foram lançadas em média 40 medidas tributárias por dia no país. Aqui, gasta-se em média 152 dias para abrir uma empresa. Nos Estados Unidos esse tempo é de 4 dias, de acordo com o Banco Mundial.
O empreendedor caracteriza-se por três diferenciais: ele ousa na hora de fixar objetivos e tomar iniciativas, envolve pessoas para buscar soluções criativas e inovadoras e move “montanhas” para atravessar a distância entre objetivo e resultado.
A Kienbaum Consulting, empresa alemã de consultoria de capital humano, presente em mais de 23 países, incluindo o Brasil, recentemente divulgou as características mais requeridas nos executivos, em ordem de importância: visão estratégica, foco em resultados, gestão de pessoas, orientação para o cliente, comunicação eficaz e flexibilidade intercultural. Na visão de Werner, “o empreendedorismo alavanca todas essas características”.
Atividades empreendedoras são aquelas que exigem pessoas com perfil visionário e inovador, grande capacidade de execução e liderança, coragem de assumir riscos, enfim, pessoas que desejam transformar sonhos em soluções e que levem em consideração valores éticos e compromisso social. Nossa própria vida pode ser vista como um empreendimento, começando nos nossos papéis de pais, filhos etc. Mas, no sentido mais profissional, aplicamos o termo empreendedor para profissionais liberais, autônomos; proprietários de negócio próprio e líderes empresariais.
Abrir um negócio, um sonho, mas também muitas vezes a única opção de trabalho que resta, é ser empreendedor, desde que o negócio seja bem sucedido. Se o empreendedor aspirante for preparado, tiver competência, habilidade e postura e estiver disposto a dar tudo e o melhor de si, sempre, a probabilidade de fracasso do negócio é pequena.
O espírito empreendedor exige elevado grau de atração pelo desafio, auto-confiança, determinação, senso de urgência, objetividade, estabilidade emocional, auto-controle, realismo, preferência por ter autoridade e responsabilidades, capacidade analítica e boa saúde.
O outro lado
Apesar do empreendedorismo, da força de vontade e do desejo de ser bem sucedido, muitos empresários brasileiros não conseguem manter suas empresas abertas por muitos anos. Cerca de 48% dos novos negócios vão à falência nos três primeiros anos de operação. Cerca de 97% das falências acontecem principalmente pelo desconhecimento dos números reais da empresa, carga tributária excessiva e falta de entendimento da legislação.
Outra razão é a atividade reduzida de angel investors no financiamento de novos negócios. O angel investor é uma pessoa física, geralmente um ex-executivo ou ex-empresário, com capital para investimento e disposição para correr maiores riscos -calculáveis - em troca de uma maior rentabilidade. É um investidor que tem interesse em financiar empresas em sua fase inicial, pois, nos primeiros anos de atividade, as empresas inovadoras tendem a apresentar altas taxas de crescimento.
A cultura e o clima econômico no país ainda não se prepararam para o empreendedorismo. Os empréstimos muitas vezes são feitos a custos e condições inviáveis. Falta de preparo e baixo comprometimento dos funcionários, falta de estrutura e recursos necessários também se incluem na lista de obstáculos ao sucesso e sobrevivência das empresas.
Calcula-se que cerca de 90% do êxito nos negócios deve-se à aptidão, relações humanas e criativas. As atividades acadêmicas respondem por apenas 10%. As empresas precisam cada vez mais de verdadeiros empreendedores; o poder hoje está todo nas mãos do cliente.
Não há mais como pensar em gordas margens de lucro, definir o preço ao bel-prazer. O que define os custos é quanto o cliente está disposto a pagar. O real diferencial está na prestação de serviços, na credibilidade, comportamento e comprometimento das pessoas - a marca inimitável. O empreendedor é integral, integrado e interativo, com tudo para se tornar ímpar.
São estas as características do empreendedor de sucesso:
Werner Kugelmeier
Desmistificando o Empreendedorismo
- todos precisam, muitos querem, mas somente alguns conseguem
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