Jantar de negócios sem gafes causa boa impressão em clientes da China, que falam inglês.

 

Mateus Bruzel/Folhapress

Costumes Chineses

A professora de mandarim Liang Yan, 47, dá aula de costumes chineses

à mesa para alunos do Chinbra, no restaurante Chi Fu, na Liberdade (centro)

 

LUIZA CAIRES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

 

Com o crescente intercâmbio comercial entre Brasil e China, aumenta também a curiosidade pelo mandarim, idioma oficial dos chineses.


Para alguns profissionais, dominá-lo soa como ponto a favor no currículo. Especialmente para quem ocupa cargos de gerência e vislumbra a possibilidade de fazer negócios com os asiáticos.
Ou de trabalhar em multinacionais que se instalaram aqui, como a Chery (automóveis), a Gree (condicionadores de ar), a ZTE e a Huawei (telecomunicações).


"Muitas vezes um cliente internacional é importante o suficiente para que se contrate alguém que fale sua língua", afirma a "headhunter" Isabela Tuca, da RH Internacional. Ela ressalta, porém, que essa não é uma exigência da maioria das companhias.


Em conversas com chineses, o idioma oficial é o inglês. Mas é bom conhecer sua cultura. "Não fazem negócios sem antes fazer amizade, marcar um jantar", diz Liang Yan, professora da escola de mandarim Chinbra.


Conhecer os costumes ajuda a evitar gafes como se servir primeiro e convidar e querer dividir a conta, explica Yan. "Na China, é considerado desrespeito não levar cartão de visitas ou entregá-lo com uma mão só", concorda Schan Schan Fei, professora do curso de mandarim da Faap (Fundação Armando Alvares Penteado).


O gerente de exportações José Perez, 50, foi à China e diz que clientes chineses gostam de ver o esforço alheio para se comunicar em seu idioma, mas que a maior parte dos diálogos é em inglês.


Já a estudante de relações internacionais Nicole Pasian, 20, acrescenta que saber um pouco de mandarim ajuda até a entender o inglês dos chineses. "Eles falam com muito sotaque", diz.

 

 

MUNDO ÁRABE


O mundo árabe também se destaca nos negócios com o Brasil. Mas, para o consultor Werner Kugelmeier, não é preciso falar as línguas dos países para trabalhar em empresas que têm relações comerciais com os árabes.


Como no caso do mandarim, saber algumas palavras cria um clima amistoso e pode facilitar negociações.


O mais importante, no entanto, é aprender sobre sua cultura. "Falar inglês, que é o idioma oficial dos negócios, é encarado com normalidade. Mas se comportar de forma inadequada para as regras islâmicas, não", comenta.
 


 

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