mais uma questão de inteligência do que piedade empresarial

 

Dia da Consciência Negra: a cor ainda faz a diferença, também no mundo corporativo.

 

Os negros são raridade no mundo corporativo. O mercado de trabalho para os negros continua dramático. Dados do IBGE/Pnad indicam que as diferenças entre as raças não estão apenas na empregabilidade, mas também na remuneração. No Brasil, 70% das pessoas negras ou pardas compõem os 10% mais pobres. Quando se fala da fatia de 1% dos mais ricos do País, ela é composta por apenas 16% de pretos e pardos.


Sabemos que a raiz do problema está no erro de como ocorreu a abolição da escravatura. Os negros saíram das senzalas com uma mão na frente,  outra atrás, entregues à própria sorte. Não tiveram sorte e passaram a viver em uma situação de marginalização, criando um exército de excluídos. O escravo não virou cidadão. Os negros ganharam a liberdade, mas continuaram sem ter direitos.


Como bem sabemos, quase tudo é uma questão de educação; as tentativas corretivas como cotas para negros nas universidades ainda são um tema muito polêmico.


No próximo dia 20 comemora-se o Dia Nacional da Consciência Negra. Para os que defendem ser esse um daqueles feriados inúteis, pelo menos tomem consciência de que  os números continuam evidenciando um país veladamente racista. O preconceito é generalizado. No país dos desiguais, os pobres levam a pior. Se for pobre e negro, então... Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) revelam que dos 22 milhões de brasileiros abaixo da linha de pobreza 70% são negros. Além disso, dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e da Justiça atestam que o rendimento médio dos homens brancos é de 6,3 salários-mínimos; da mulher branca é de 3,6; do homem negro é de 2,9 e da mulher negra 1,7.


Apesar do percentual de empregados pretos e pardos ter aumentado de 8,5% para 13,7% e o de mulheres de 28% para 30,1%, eles ainda são minorias em cargos de chefia: apenas 4,3% de pretos e pardos e 16,4% de mulheres.


Ainda hoje a presença de negros no mercado de trabalho é desigual, sobretudo no primeiro escalão das grandes empresas. É o que indica a terceira edição da pesquisa Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas, desenvolvida pelo Ibope Inteligência, em parceria com o Instituto Ethos.


Segundo os dados da pesquisa, a participação de negros no primeiro escalão das empresas nem sequer superou um ponto percentual. Mesmo no quadro funcional, no pé da pirâmide hierárquica, a igualdade de raças ainda está em 1,3%.

 

Aparentemente, o empresariado brasileiro continua refém do "olhar acostumado", em vez de avançar rumo a uma postura mais agressiva.

 

É importante entender que não se trata apenas de um problema social. O perfil predominante de brancos entre os colaboradores bate de frente com a demanda por diversidade cultural, que veio junto com a globalização.

 

As empresas deveriam entender a diversidade cultural como uma oxigenação do ambiente organizacional e como oportunidade de negócios. Brasil, um país abençoado com tanta diversidade cultural, simplesmente deixa de ganhar com mais dinamismo, mais debate, mais pluralidade e mais interação. Não faz sentido deixar espaço para os concorrentes terem políticas multiculturais, enquanto empresas brasileiras seguem monoculturais.


O Ibope Inteligência está estendendo as mãos às empresas consultadas para um debate de resultados, querendo propor ações afirmativas, cobrar a implementação dessas ações e apresentar mecanismos de controle e acompanhamento, ingredientes de um pacto multicultural. Por que recusar a participação?


Se não bastassem razões para isso, aqui mais um fato: o apartheid digital. O Mapa da Exclusão Digital de 2001 revela: entre os brasileiros que têm computador, 80% são brancos, 15% são pardos e 2,5% são pretos.


Uma outra data importante tem relação com as mulheres e, em especial, com as negras: é o dia 25 de novembro - Dia Internacional pelo Fim da Violência contra a Mulher. A violência atinge todas as mulheres, mas geralmente as de baixa renda e negras são as maiores vítimas. O racismo não deixa de ser uma violência também.


Nestes dias, no contexto da crise financeira, o mundo inteiro discute a criação de regras mais severas para a ética no mundo corporativo. O fim do apartheid racial nas empresas não merece constar de um item na agenda “Ética 2009”? Ou vamos “comemorar” o dia 20 de novembro de 2009 com a Ética financeira resolvida e a Ética racial pendente? O negro está consciente de que pode continuar contribuindo para criar riquezas financeiras – o branco não pode, pelo menos, entrar num jogo ganha x ganha mais equilibrado com o negro?


Sou branco – a Gerente Geral da minha microempresa é negra e minha esposa – oxigenando o nosso dia-a-dia... 
 

Werner Kugelmeier

 


 

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